O céu escureceu minha razão,
já não tenho paz, nem ilusão.
Estou abandonado na sarjeta,
sem esperança nesse planeta.
Não quero mais viver essa situação,
a vida já não é como já foi,
preciso libertar essa imensidão
de dor que cobre o peito de torpor.
Estou desesperado,
perdido nessa hora,
vê se não se arrepende...
pois eu te amo,
mas vou embora.
Vou vivendo cada dia "como dá",
vivendo cada hora "como é",
viver já não é mais "como será"
Vivendo já não sei "como quiser"
A luz que ilumina a rua torta,
a torta que desfaz com a ilusão,
a vida é quase e sempre vida-morta
perdida na ilusão da ilusão.
Sem tempo de iludir a previsão,
só vejo que prevejo a iminência
da festa que não acaba no sertão
do tempo que não é de paciência.
Eu te amo, mas vou embora...
pra onde o mar acalma meu pesar,
pra onde o novo tempo seja o "agora".
Eu te amo, mas vou embora...
para onde tudo possa se refazer,
como refez meu desejo de te olvidar,
e a vontade de renascer.