O corpo estava imóvel no canto. Marcas de violência tatuavam sua face, seu pescoço e seu corpo. Ninguém acreditou. Estavam todos atônitos olhando para aquela cena impronunciável. Foram certificar, e realmente havia morrido. Aos poucos começou-se a ouvir lamentos, depois angústia e choro. O choro foi se instalando. Depois de algum tempo ocupou todos os espaços. A tristeza era tamanha que não se sentia nada além dela. O corpo era velado (ali mesmo no canto) enquanto o choro fazia coro para a passagem. A casa de lamentações se tornou também a casa da última lembrança. {Alguém se perguntou - em meio à tragédia - quem poderia ter praticado aquela atrocidade. O crime estava consumado faltava o castigo. Quem sofreria as penas, duras e imperdoáveis, do ato irreparável?} O criminoso ainda estava lá. Não conseguiu ou quis escapar. Ficou lá enquanto todos ainda se lamentavam pelo ocorrido. A brutalidade do crime mereceria uma resposta, e ela viria após a captura do assassino. {O corpo foi transportado. Depois vieram as despedidas. Mais choro evaporou pelas chaminés inexistentes da casa chuvosa} O criminoso foi capturado. Nada disse, mas sua aura de culpa foi o suficiente. Todos sabiam, embora ele nunca fosse confessar os motivos. A inocência foi ceifada, e o castigo haveria de ser aplicado. {Banir?} O castigo foi aplicado, mas ninguém saberá se foi suficiente. Todos diziam, um dia a dor vai embora. Pode ser, mas ninguém conseguiu entender o porquê de o Hamster ter matado a pequena coelha daquela forma.