terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Pulcríssimo

O campo descorado. Verde morto,
morte de vida desgastada.
Renovação. Vida desenterrada.
Terra viva. Vento absorto.
Vida nasce, vida morre.
Belíssimo baile jacente.
Ora tudo é aqui, é presente,
Ora nada mais ocorre.
Ciclo perene cósmico.
Belo, impoluto, rico.
Nesse baile da natureza,
na qual resplandece a estranheza,
nunca se está no sopé ou no pico.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Oração

Rubra honra de quimera e [Ladrões,
Passado plantado e renuído
crescido em solo prostituído
e colhido no agreste dos ximões.

Auraras rubras de horizonte descaído,
Pedaços incólumes de inefáveis verões;
Terras verdejantes, outrora sertões,
Peito descampado de leite puído.

Resplandece o impoluto, o biltre.
Adefagia é espórtula ao desairoso.
Tudo dado pelo nume é pomposo,
o recolhido, espera-se, é  alvitre.

Dá-nos, pois, sem comiseração,
o desconsolo da vida acabada,
sem céu, sem além, sem nada,
e a crueza do real, sem ilusão.

Prece Noturna #1

Com que honra se nutre a fome?
É pena capital a quem persiste?
É instância habitual a qual não tem nome,
e pecado mortal de quem desiste!

Terra vermelha, 
peito apertado,
pés descalços.
Céu é grande 
cabe o rosário,
caleja o coração.
Prece contra a fome!
Cadê o Homem?
Cadê o Homem?
Prece dolorida,
pra abrandar a ferida,
pra abastecer a vida.