quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Obrigado!

Obrigado por me matar
sem ar, sem alimento, sem teto,
sem liberdade, sem trabalho, sem direito!

Obrigado por me matar
todo dia,
toda hora.

Obrigado por me matar
com motivo, sem motivo,
com ódio e sem esperança.

Obrigado por me matar
e não me deixar viver,
neste país que nunca foi meu.

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Novo frio

Sim, ordinária ingenuidade!
Nenhuma arma é fortaleza,
e nenhuma reza é limpeza
para esta servil plasticidade.

Rasgai teus versos e verbos,
tomai teu sangue em notas
que as lutas são bancarrotas
dos perjúrios cegos e soberbos.

E vingai tua febril imagem,
do tempo que nunca existiu,
e para onde não há passagem,

pois é hora, e o dia sucumbiu...
é hora, e a noite segue viagem
costurando-se a um novo frio.