A quem devo o temor destemido? Eu que já desbravei vários anos de fome e reinvenção, me vejo, outra vez [outravez²], descaído entre o pântano de desinformação e pela floresta de mentiras mal-ditas. Já não sei o que é "não-ser" e sei menos o que é (isso). A vida parece rebocar a boca de tijolos afetuosos e decadentes. O céu (ó céus) já não tem mais a sensibilidade de dizer dos amargores dos dias profusos. Eu quis ser o ser dos seres. Quero! Só não posso ser o que não soluça através das nuvens fantasmas de sons agrotóxicos. Rastejo entre paradoxos. O bem é o mal, e não há mal (mau-mau) nenhum em não parecer se incomodar com a tragédia anunciada pelo vidro malfeito do relógio cósmico. Tudo parece inerte frente ao acelerado terreno de mutações. Tudo parece derretido na lama de tensões bélica entre o desejo de não-ser esquecido pelo tempo dos tempos. Eu que já vivi entre a cruz e a cruzada, entre o mistério e a inanição, entre o tempo e a ilusão, entre os entretantos dos menores espaços sociais... Eu que já fui até o infinito da ruína liberal, agora me afogo no pesadelo de lavar roupa entre um temporal de elogios. Quero ver, vertentes, vertigens, verdades, ver-duras, verbos sobre um céu que desbotou sobre o solo infértil do paraíso restaurado no chão do dia desfigurado.
domingo, 20 de dezembro de 2020
terça-feira, 21 de abril de 2020
As pessoas
As pessoas marcham,
e pedem (sem saber)
que o que querem
não querem ter.
As pessoas marcham,
somam vozes,
pedindo (sem saber)
para que todos se calem.
As pessoas marcham,
e na (im)pureza
da tolice ignóbil
perdem a razão...
e sem ela, em vão,
tijolo a tijolo
constroem a base
da própria destruição.
e pedem (sem saber)
que o que querem
não querem ter.
As pessoas marcham,
somam vozes,
pedindo (sem saber)
para que todos se calem.
As pessoas marcham,
e na (im)pureza
da tolice ignóbil
perdem a razão...
e sem ela, em vão,
tijolo a tijolo
constroem a base
da própria destruição.
Esquecimento
Só quero esquecer
que um dia tive que
viver
o que sofrer
representa.
Digo: Aguenta.
Aguenta,
Aguenta.
A vida dói,
e destrói
pedaços de vida!
[e é sofrida...
mas é vida,
[e é essa ferida
que vai carregar
enquanto a vida
perdurar.
que um dia tive que
viver
o que sofrer
representa.
Digo: Aguenta.
Aguenta,
Aguenta.
A vida dói,
e destrói
pedaços de vida!
[e é sofrida...
mas é vida,
[e é essa ferida
que vai carregar
enquanto a vida
perdurar.
Cidade
As luzes da cidade
parecem vigiar os
andarilhos da noite.
Aqueles que pensam
que estão sozinho
perdidos
e sequestrados.
Alados,
de pensamento
alto. Além-de-si!
As luzes se apagam,
e ninguém percebe,
estão todos dormindo,
de olhos fechados
para a vida.
parecem vigiar os
andarilhos da noite.
Aqueles que pensam
que estão sozinho
perdidos
e sequestrados.
Alados,
de pensamento
alto. Além-de-si!
As luzes se apagam,
e ninguém percebe,
estão todos dormindo,
de olhos fechados
para a vida.
Ninguém
Eu só preciso dizer.
Dizer qualquer coisa!
Coisa que importe,
mas não tem importância.
Não tem ninguém ouvindo.
Dizer qualquer coisa!
Coisa que importe,
mas não tem importância.
Não tem ninguém ouvindo.
sábado, 15 de fevereiro de 2020
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