domingo, 20 de dezembro de 2020

Irracional

A quem devo o temor destemido? Eu que já desbravei vários anos de fome e reinvenção, me vejo, outra vez [outravez²], descaído entre o pântano de desinformação e pela floresta de mentiras mal-ditas. Já não sei o que é "não-ser" e sei menos o que é (isso). A vida parece rebocar a boca de tijolos afetuosos e decadentes. O céu (ó céus) já não tem mais a sensibilidade de dizer dos amargores dos dias profusos. Eu quis ser o ser dos seres. Quero! Só não posso ser o que não soluça através das nuvens fantasmas de sons agrotóxicos. Rastejo entre paradoxos. O bem é o mal, e não há mal (mau-mau) nenhum em não parecer se incomodar com a tragédia anunciada pelo vidro malfeito do relógio cósmico. Tudo parece inerte frente ao acelerado terreno de mutações. Tudo parece derretido na lama de tensões bélica entre o desejo de não-ser esquecido pelo tempo dos tempos. Eu que já vivi entre a cruz e a cruzada, entre o mistério e a inanição, entre o tempo e a ilusão, entre os entretantos dos menores espaços sociais... Eu que já fui até o infinito da ruína liberal, agora me afogo no pesadelo de lavar roupa entre um temporal de elogios. Quero ver, vertentes, vertigens, verdades, ver-duras, verbos sobre um céu que desbotou sobre o solo infértil do paraíso restaurado no chão do dia desfigurado.

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