quarta-feira, 30 de junho de 2021

Impossibilidades

Interrompendo o caos da impossibilidade, perguntas se há um fim e um meio nos destroços daquela  atrocidade. Ela sorri para o nada, e se perde no azul espiral que se confunde com a calçada. Parecia perdido, o palhaço sorria atrás da cortina fechada e o trânsito de corpos era "só" mais uma palhaçada. Ninguém percebia o teto de gesso, e a madeira ranger no fundo do poço. As paredes sempre estiveram quebradas e isso era só o que importava para quem  não tinha nada além de paredes imperfeitas no castelo dos sonhos. Quem viu esse castelo? Ninguém viu, mas dizem que há pedaços dele sendo destruídos por ai.

Acorrentado

Agora nada é calmo, mas nem sempre foi assim. A tormenta cresceu e tudo se tornou um pesadelo para qualquer um que tenha o mínimo de (...). Sim (...) a vida agora é um barril de (...) com cheiro formol. Ontem a fome veio dormir aqui perto, e parece que muita gente deu (involuntariamente) abrigo para ela. Vi de longe, quis expulsá-la, mas parece que há mais (...) do que (...). Amanhã não será um outro dia, não será. Enquanto a fome estiver por aí... Há muito o que ser feito, e a elite fala demais, fala demais e só fala demais.

Confusão

Rasgai as cartas, os versos, as canções,
enquanto ainda remanescem os sabores
dos dias, em que cultivavas acores,
e das noites, em que brindavas ações.

Agora já não existe mais esperança
as lágrimas de dias inconsequentes
caem entre as páginas eloquentes
de um futuro puído e sem pujança.

Mas deveríamos bradar a novas eras,
acordar bons dias de luta, e ternura
revigorando a guerra de todas as feras,

e gestando o ódio na geração futura
de que a matança dos operários
é o negócio lucrativo dos bilionários.

(SObre)vivendo no inferno

Sobreviverás ao caos
e tudo que engana será venerado
pelos que cercam o caos.

Sobreviverás à prisão
e tudo que mata será elevado
pelos que regozijam a prisão.

Sobreviverás à tentação
e tudo que polui será louvado
pelos que exaltam a tentação.

Sobreviverás a tudo,
e tudo que destrói será mostrado
pelos que querem (para si) tudo.