terça-feira, 21 de abril de 2020

As pessoas

As pessoas marcham,
e pedem (sem saber)
que o que querem
não querem ter.

As pessoas marcham,
somam vozes,
pedindo (sem saber)
para que todos se calem.

As pessoas marcham,
e na (im)pureza
da tolice ignóbil
perdem a razão...
e sem ela, em vão,
tijolo a tijolo
constroem a base
da própria destruição.

Esquecimento

Só quero esquecer
que um dia tive que
viver
o que sofrer
representa.
Digo: Aguenta.
Aguenta,
Aguenta.
A vida dói,
e destrói
pedaços de vida!
[e é sofrida...
mas é vida,
[e é essa ferida
que vai carregar
enquanto a vida
perdurar.

Cidade

As luzes da cidade
parecem vigiar os
andarilhos da noite.

Aqueles que pensam
que estão sozinho
perdidos
e sequestrados.

Alados,
de pensamento
alto. Além-de-si!

As luzes se apagam,
e ninguém percebe,
estão todos dormindo,
de olhos fechados
para a vida.

Ninguém

Eu só preciso dizer.
Dizer qualquer coisa!
Coisa que importe,
mas não tem importância.
Não tem ninguém ouvindo.

sábado, 15 de fevereiro de 2020

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quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Promessas

Eu prometi que não prometeria,
que não seria, não esperaria.
Prometi que tudo não mudaria,
e que tudo, tudo... permaneceria.

Eu prometi que não mentiria,
que palavrões eu não diria.
Prometi apenas e só alegria,
e felicidade noite, tarde e dia.

Eu prometi que não fugiria,
que os vícios pesados deixaria.
Prometi que tudo passaria.

Eu prometi que não fingiria,
que o mundo melhor seria,
só não prometi que prometeria.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Pulcríssimo

O campo descorado. Verde morto,
morte de vida desgastada.
Renovação. Vida desenterrada.
Terra viva. Vento absorto.
Vida nasce, vida morre.
Belíssimo baile jacente.
Ora tudo é aqui, é presente,
Ora nada mais ocorre.
Ciclo perene cósmico.
Belo, impoluto, rico.
Nesse baile da natureza,
na qual resplandece a estranheza,
nunca se está no sopé ou no pico.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Oração

Rubra honra de quimera e [Ladrões,
Passado plantado e renuído
crescido em solo prostituído
e colhido no agreste dos ximões.

Auraras rubras de horizonte descaído,
Pedaços incólumes de inefáveis verões;
Terras verdejantes, outrora sertões,
Peito descampado de leite puído.

Resplandece o impoluto, o biltre.
Adefagia é espórtula ao desairoso.
Tudo dado pelo nume é pomposo,
o recolhido, espera-se, é  alvitre.

Dá-nos, pois, sem comiseração,
o desconsolo da vida acabada,
sem céu, sem além, sem nada,
e a crueza do real, sem ilusão.

Prece Noturna #1

Com que honra se nutre a fome?
É pena capital a quem persiste?
É instância habitual a qual não tem nome,
e pecado mortal de quem desiste!

Terra vermelha, 
peito apertado,
pés descalços.
Céu é grande 
cabe o rosário,
caleja o coração.
Prece contra a fome!
Cadê o Homem?
Cadê o Homem?
Prece dolorida,
pra abrandar a ferida,
pra abastecer a vida.