sábado, 13 de novembro de 2021
Periódico
sábado, 23 de outubro de 2021
A miséria
do pleno verão e ninguém acreditou.
Ninguém, absolutamente, acreditou
No que, anos depois, se consumaria.
Ela entrou terrivelmente desacreditada,
Até diziam “ora se não é a coitadinha”
Que chega como grande tempestade,
Mas não passa de mera chuvinha.
Ela não era gatinho, não era leão.
Não era medo, não era desilusão.
Não era a natureza da incipiência...
Talvez o rastro pecaminoso do mal,
Talvez o genocídio da imprudência,
Que reconstruiu a ideologia do fatal.
quinta-feira, 19 de agosto de 2021
Obrigado!
sem ar, sem alimento, sem teto,
todo dia,
Obrigado por me matar
com motivo, sem motivo,
com ódio e sem esperança.
Obrigado por me matar
e não me deixar viver,
neste país que nunca foi meu.
quinta-feira, 5 de agosto de 2021
Novo frio
Nenhuma arma é fortaleza,
e nenhuma reza é limpeza
para esta servil plasticidade.
Rasgai teus versos e verbos,
tomai teu sangue em notas
que as lutas são bancarrotas
dos perjúrios cegos e soberbos.
E vingai tua febril imagem,
do tempo que nunca existiu,
e para onde não há passagem,
pois é hora, e o dia sucumbiu...
é hora, e a noite segue viagem
costurando-se a um novo frio.
sexta-feira, 16 de julho de 2021
Antífolo de Siracusa
na efígie do Antífolo perdido
que vive às margens (e iludido
da crença de vindoura caridade.
Antífolo logra estar imbuído
de natureza, e fortuna, e aliança
com a terra, o céu e a balança
do desejo de fazer-se escolhido.
Na comédia de cantigas e orações
que ressoam da caatinga humana,
Antífolo faz-se várias comunhões
para lograr sua amada sultana
e nas minas gerais de desilusões
só canta ao seu amor: Luciana.
quarta-feira, 30 de junho de 2021
Impossibilidades
Acorrentado
Agora nada é calmo, mas nem sempre foi assim. A tormenta cresceu e tudo se tornou um pesadelo para qualquer um que tenha o mínimo de (...). Sim (...) a vida agora é um barril de (...) com cheiro formol. Ontem a fome veio dormir aqui perto, e parece que muita gente deu (involuntariamente) abrigo para ela. Vi de longe, quis expulsá-la, mas parece que há mais (...) do que (...). Amanhã não será um outro dia, não será. Enquanto a fome estiver por aí... Há muito o que ser feito, e a elite fala demais, fala demais e só fala demais.
Confusão
enquanto ainda remanescem os sabores
dos dias, em que cultivavas acores,
e das noites, em que brindavas ações.
Agora já não existe mais esperança
as lágrimas de dias inconsequentes
caem entre as páginas eloquentes
de um futuro puído e sem pujança.
Mas deveríamos bradar a novas eras,
acordar bons dias de luta, e ternura
revigorando a guerra de todas as feras,
e gestando o ódio na geração futura
de que a matança dos operários
é o negócio lucrativo dos bilionários.
(SObre)vivendo no inferno
quarta-feira, 20 de janeiro de 2021
Eu te amo, mas vou embora
domingo, 17 de janeiro de 2021
Poema de Adaptação
:: Levantou depois de deitar!
domingo, 3 de janeiro de 2021
Pode ir embora
domingo, 20 de dezembro de 2020
Irracional
A quem devo o temor destemido? Eu que já desbravei vários anos de fome e reinvenção, me vejo, outra vez [outravez²], descaído entre o pântano de desinformação e pela floresta de mentiras mal-ditas. Já não sei o que é "não-ser" e sei menos o que é (isso). A vida parece rebocar a boca de tijolos afetuosos e decadentes. O céu (ó céus) já não tem mais a sensibilidade de dizer dos amargores dos dias profusos. Eu quis ser o ser dos seres. Quero! Só não posso ser o que não soluça através das nuvens fantasmas de sons agrotóxicos. Rastejo entre paradoxos. O bem é o mal, e não há mal (mau-mau) nenhum em não parecer se incomodar com a tragédia anunciada pelo vidro malfeito do relógio cósmico. Tudo parece inerte frente ao acelerado terreno de mutações. Tudo parece derretido na lama de tensões bélica entre o desejo de não-ser esquecido pelo tempo dos tempos. Eu que já vivi entre a cruz e a cruzada, entre o mistério e a inanição, entre o tempo e a ilusão, entre os entretantos dos menores espaços sociais... Eu que já fui até o infinito da ruína liberal, agora me afogo no pesadelo de lavar roupa entre um temporal de elogios. Quero ver, vertentes, vertigens, verdades, ver-duras, verbos sobre um céu que desbotou sobre o solo infértil do paraíso restaurado no chão do dia desfigurado.
terça-feira, 21 de abril de 2020
As pessoas
e pedem (sem saber)
que o que querem
não querem ter.
As pessoas marcham,
somam vozes,
pedindo (sem saber)
para que todos se calem.
As pessoas marcham,
e na (im)pureza
da tolice ignóbil
perdem a razão...
e sem ela, em vão,
tijolo a tijolo
constroem a base
da própria destruição.
Esquecimento
que um dia tive que
viver
o que sofrer
representa.
Digo: Aguenta.
Aguenta,
Aguenta.
A vida dói,
e destrói
pedaços de vida!
[e é sofrida...
mas é vida,
[e é essa ferida
que vai carregar
enquanto a vida
perdurar.
Cidade
parecem vigiar os
andarilhos da noite.
Aqueles que pensam
que estão sozinho
perdidos
e sequestrados.
Alados,
de pensamento
alto. Além-de-si!
As luzes se apagam,
e ninguém percebe,
estão todos dormindo,
de olhos fechados
para a vida.
Ninguém
Dizer qualquer coisa!
Coisa que importe,
mas não tem importância.
Não tem ninguém ouvindo.
sábado, 15 de fevereiro de 2020
quarta-feira, 30 de janeiro de 2019
Promessas
que não seria, não esperaria.
Prometi que tudo não mudaria,
e que tudo, tudo... permaneceria.
Eu prometi que não mentiria,
que palavrões eu não diria.
Prometi apenas e só alegria,
e felicidade noite, tarde e dia.
Eu prometi que não fugiria,
que os vícios pesados deixaria.
Prometi que tudo passaria.
Eu prometi que não fingiria,
que o mundo melhor seria,
só não prometi que prometeria.
terça-feira, 17 de janeiro de 2017
Pulcríssimo
morte de vida desgastada.
Renovação. Vida desenterrada.
Terra viva. Vento absorto.
Vida nasce, vida morre.
Belíssimo baile jacente.
Ora tudo é aqui, é presente,
Ora nada mais ocorre.
Ciclo perene cósmico.
Belo, impoluto, rico.
Nesse baile da natureza,
na qual resplandece a estranheza,
nunca se está no sopé ou no pico.