Nada é eterno
Um dia, quando o sol se pôr
E a terra sucumbir ao
Sopro do furacão radioativo
Seremos o quê? Onde?
Nada é terno.
Um dia,
A luz e o sol
Sucumbirão
Até lá,
Alguns dias durarão
O tempo que for
Preciso.
segunda-feira, 2 de maio de 2022
Confissão #1
Dias Interrompidos
Dias interrompidos,
Cuspidos, enxotados
Sem reserva, Perdão
Perdição, Correção!
Esqueçamos? Jamais,
Dias como tais
Servem a um propósito.
Servem a nós e à
Utopia d’um amanhã
Que não chega,
Mas chega à alma.
Calma, Acalma!
A lama é temporária
Um dia,
Pelo sol que alumia
Veremos as flores
De todas as dores
Brotarem nos jardins
Dos confins
Da saudade
Dos tempos que se foram.
sábado, 13 de novembro de 2021
Periódico
sábado, 23 de outubro de 2021
A miséria
do pleno verão e ninguém acreditou.
Ninguém, absolutamente, acreditou
No que, anos depois, se consumaria.
Ela entrou terrivelmente desacreditada,
Até diziam “ora se não é a coitadinha”
Que chega como grande tempestade,
Mas não passa de mera chuvinha.
Ela não era gatinho, não era leão.
Não era medo, não era desilusão.
Não era a natureza da incipiência...
Talvez o rastro pecaminoso do mal,
Talvez o genocídio da imprudência,
Que reconstruiu a ideologia do fatal.
quinta-feira, 19 de agosto de 2021
Obrigado!
sem ar, sem alimento, sem teto,
todo dia,
Obrigado por me matar
com motivo, sem motivo,
com ódio e sem esperança.
Obrigado por me matar
e não me deixar viver,
neste país que nunca foi meu.
quinta-feira, 5 de agosto de 2021
Novo frio
Nenhuma arma é fortaleza,
e nenhuma reza é limpeza
para esta servil plasticidade.
Rasgai teus versos e verbos,
tomai teu sangue em notas
que as lutas são bancarrotas
dos perjúrios cegos e soberbos.
E vingai tua febril imagem,
do tempo que nunca existiu,
e para onde não há passagem,
pois é hora, e o dia sucumbiu...
é hora, e a noite segue viagem
costurando-se a um novo frio.
sexta-feira, 16 de julho de 2021
Antífolo de Siracusa
na efígie do Antífolo perdido
que vive às margens (e iludido
da crença de vindoura caridade.
Antífolo logra estar imbuído
de natureza, e fortuna, e aliança
com a terra, o céu e a balança
do desejo de fazer-se escolhido.
Na comédia de cantigas e orações
que ressoam da caatinga humana,
Antífolo faz-se várias comunhões
para lograr sua amada sultana
e nas minas gerais de desilusões
só canta ao seu amor: Luciana.
quarta-feira, 30 de junho de 2021
Impossibilidades
Acorrentado
Agora nada é calmo, mas nem sempre foi assim. A tormenta cresceu e tudo se tornou um pesadelo para qualquer um que tenha o mínimo de (...). Sim (...) a vida agora é um barril de (...) com cheiro formol. Ontem a fome veio dormir aqui perto, e parece que muita gente deu (involuntariamente) abrigo para ela. Vi de longe, quis expulsá-la, mas parece que há mais (...) do que (...). Amanhã não será um outro dia, não será. Enquanto a fome estiver por aí... Há muito o que ser feito, e a elite fala demais, fala demais e só fala demais.
Confusão
enquanto ainda remanescem os sabores
dos dias, em que cultivavas acores,
e das noites, em que brindavas ações.
Agora já não existe mais esperança
as lágrimas de dias inconsequentes
caem entre as páginas eloquentes
de um futuro puído e sem pujança.
Mas deveríamos bradar a novas eras,
acordar bons dias de luta, e ternura
revigorando a guerra de todas as feras,
e gestando o ódio na geração futura
de que a matança dos operários
é o negócio lucrativo dos bilionários.
(SObre)vivendo no inferno
quarta-feira, 20 de janeiro de 2021
Eu te amo, mas vou embora
domingo, 17 de janeiro de 2021
Poema de Adaptação
:: Levantou depois de deitar!
domingo, 3 de janeiro de 2021
Pode ir embora
domingo, 20 de dezembro de 2020
Irracional
A quem devo o temor destemido? Eu que já desbravei vários anos de fome e reinvenção, me vejo, outra vez [outravez²], descaído entre o pântano de desinformação e pela floresta de mentiras mal-ditas. Já não sei o que é "não-ser" e sei menos o que é (isso). A vida parece rebocar a boca de tijolos afetuosos e decadentes. O céu (ó céus) já não tem mais a sensibilidade de dizer dos amargores dos dias profusos. Eu quis ser o ser dos seres. Quero! Só não posso ser o que não soluça através das nuvens fantasmas de sons agrotóxicos. Rastejo entre paradoxos. O bem é o mal, e não há mal (mau-mau) nenhum em não parecer se incomodar com a tragédia anunciada pelo vidro malfeito do relógio cósmico. Tudo parece inerte frente ao acelerado terreno de mutações. Tudo parece derretido na lama de tensões bélica entre o desejo de não-ser esquecido pelo tempo dos tempos. Eu que já vivi entre a cruz e a cruzada, entre o mistério e a inanição, entre o tempo e a ilusão, entre os entretantos dos menores espaços sociais... Eu que já fui até o infinito da ruína liberal, agora me afogo no pesadelo de lavar roupa entre um temporal de elogios. Quero ver, vertentes, vertigens, verdades, ver-duras, verbos sobre um céu que desbotou sobre o solo infértil do paraíso restaurado no chão do dia desfigurado.
terça-feira, 21 de abril de 2020
As pessoas
e pedem (sem saber)
que o que querem
não querem ter.
As pessoas marcham,
somam vozes,
pedindo (sem saber)
para que todos se calem.
As pessoas marcham,
e na (im)pureza
da tolice ignóbil
perdem a razão...
e sem ela, em vão,
tijolo a tijolo
constroem a base
da própria destruição.
Esquecimento
que um dia tive que
viver
o que sofrer
representa.
Digo: Aguenta.
Aguenta,
Aguenta.
A vida dói,
e destrói
pedaços de vida!
[e é sofrida...
mas é vida,
[e é essa ferida
que vai carregar
enquanto a vida
perdurar.
Cidade
parecem vigiar os
andarilhos da noite.
Aqueles que pensam
que estão sozinho
perdidos
e sequestrados.
Alados,
de pensamento
alto. Além-de-si!
As luzes se apagam,
e ninguém percebe,
estão todos dormindo,
de olhos fechados
para a vida.
Ninguém
Dizer qualquer coisa!
Coisa que importe,
mas não tem importância.
Não tem ninguém ouvindo.